“Acho que sábado é a rosa da semana; sábado de tarde a casa é feita de cortinas ao vento, e alguém despeja um balde de água no terraço; sábado ao vento é a rosa da semana; sábado de manhã, a abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto inchado, sangue e mel, aguilhão em mim perdido: outras abelhas farejarão e no outro sábado de manhã vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas. “ Texto extraído do livro “Para não Esquecer”, Editora Siciliano – São Paulo, 1992.

No dia 10 de dezembro de 1920, nascia em Tchetchelnik, na Ucrânia, Clarice Lispector. Em 1925, a autora mudou-se com a família para Recife – Pernambuco e em 1934 para o Rio de Janeiro, onde morou até a data de seu falecimento.

Clarice, uma das maiores ficcionistas da literatura brasileira contemporânea, publicou diversas obras, entre contos e romances. Confira abaixo algumas das principais obras da autora:

1. Hora da Estrela
Entre a realidade e o delírio, buscando o social enquanto sua alma a engolfava, Clarice escreveu um livro singular. ‘A Hora da Estrela’ é um romance sobre o desamparo a que, apesar da linguagem, todos estamos entregues.
2.Perto do Coração Selvagem

A amoralidade diante da maldade. O instinto na condução da trama, com uma certa dose de automartírio. A história de Joana – não a Virgem d’Orleans, mas a personagem de Clarice Lispector nesta obra de estréia, marcou a ficção brasileira em 1944. A narrativa inovadora provocou frisson nos círculos literários.

3. A Paixão Segundo G.H.
Romance original, desprovido das características próprias do gênero, A paixão segundo G.H. conta, através de um enredo banal, o pensar e o sentir de G.H., a protagonista-narradora que despede a empregada doméstica e decide fazer uma limpeza geral no quarto de serviço, que ela supõe imundo e repleto de inutilidades. Após recuperar-se da frustração de ter encontrado um quarto limpo e arrumado, G.H. depara-se com uma barata na porta do armário. Depois do susto, ela esmaga o inseto e decide provar seu interior branco, processando-se, então, uma revelação. G.H. sai de sua rotina civilizada e lança-se para fora do humano, reconstruindo-se a partir desse episódio. A protagonista vê sua condição de dona de casa e mãe como uma selvagem. Clarice escreve: “Provação significa que a vida está me provando. Mas provação significa também que estou provando. E provar pode ser transformar numa sede cada vez mais insaciável.”

4. Laços de Família
Obra que reúne contos onde as personagens – sejam adultos ou adolescentes – debatem-se nas cadeias de violência que podem emanar do círculo doméstico. Homens ou mulheres, os laços que os unem são, em sua maioria, elos familiares ao mesmo tempo de afeto e de aprisionamento. Clarice Lispector trata a solidão, a morte, a incomunicabilidade e os abismos da existência através da rotina de dona-de-casa, do mergulho em uma festa familiar nos 89 anos da matriarca, da domesticação da natureza tida como mais selvagem das mulheres, ou dos pequenos crimes cometidos contra a consciência, como o drama do professor de Matemática diante do abandono e da morte de um animal.

5. A Maçã no Escuro
Neste livro, o atordoado Martim se torna um novo homem após ter supostamente assassinado a mulher. Fugindo do crime, acaba descobrindo-se por inteiro, desprezando os antigos valores estabelecidos em sua vida. Sua fuga, em vez de isolá-lo, remonta à criação do homem, de um novo ser surgido do nada. Em vez de julgar os personagens culpados ou inocentes, Clarice Lispector busca fazer deles aprendizes do mundo, onde cada etapa funciona como uma gênese de um ser recém-criado.

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